Alagoas, um dos menores estados do Brasil em extensão territorial, tem uma história grandiosa que se entrelaça com a formação do próprio país. Localizado na região Nordeste, às margens do Atlântico, Alagoas é conhecido por suas praias paradisíacas, rica cultura popular e importantes episódios históricos que marcaram a construção da identidade nacional.
Origens e Formação
Antes da colonização portuguesa, a região era habitada por povos indígenas, como os Caetés e os Tupinambás. Os primeiros contatos com os europeus aconteceram no século XVI, quando os portugueses chegaram ao litoral brasileiro. Alagoas, à época, era parte da Capitania de Pernambuco.
O nome “Alagoas” deriva da grande quantidade de lagos e lagoas que existem em seu território — entre eles, a Lagoa Mundaú e a Lagoa do Manguaba. A região começou a se destacar economicamente no ciclo da cana-de-açúcar, com engenhos surgindo às margens dos rios.
Separação de Pernambuco
A elevação de Alagoas à categoria de capitania independente aconteceu em 1817, como consequência da repressão à Revolução Pernambucana. As elites locais, que apoiaram o movimento, foram vistas com desconfiança pela Coroa Portuguesa, que decidiu separar a região sul da capitania de Pernambuco para facilitar o controle político e militar. Assim nasceu a Capitania de Alagoas, mais tarde transformada em província e, por fim, estado da federação após a Proclamação da República.
Terra de Zumbi e da Resistência Negra
Alagoas é berço de um dos maiores símbolos da resistência negra do Brasil: Zumbi dos Palmares. Nascido na região, ele liderou o Quilombo dos Palmares, o maior e mais duradouro quilombo da história do país. Situado na Serra da Barriga, em União dos Palmares, o quilombo chegou a reunir cerca de 30 mil habitantes e resistiu por quase um século à opressão colonial.
Zumbi morreu em 1695, mas sua memória permanece viva. O local onde ficava o quilombo hoje abriga o Parque Memorial Quilombo dos Palmares, um ponto de visitação que valoriza a história da resistência negra e a luta por liberdade.
Modernização e Cultura
Ao longo do século XX, Alagoas passou por transformações econômicas e sociais. Maceió, sua capital, se desenvolveu como centro político, administrativo e turístico. A economia tradicional baseada na cana-de-açúcar e no cultivo de coco deu lugar, gradualmente, ao turismo e à diversificação industrial.
O estado também é um celeiro cultural: abriga manifestações como o folguedo do Guerreiro, o pastoril, o bumba-meu-boi e o maracatu, além de ter produzido nomes importantes da literatura e política nacional, como Graciliano Ramos, Lêdo Ivo, Divaldo Suruagy e dois presidentes da República: Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto.
Alagoas Hoje
Hoje, Alagoas se destaca por suas paisagens naturais — com praias como Maragogi, Pajuçara e São Miguel dos Milagres — e por seu rico patrimônio histórico. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios sociais, como a desigualdade e o desenvolvimento sustentável.
Ainda assim, Alagoas segue como símbolo de resistência, cultura e beleza. Sua história é marcada pela coragem de seu povo, pela diversidade de suas raízes e pela contribuição significativa ao Brasil.

