Em declarações recentes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, trouxe à tona detalhes de reuniões realizadas antes das eleições de 2018, quando o então candidato Jair Bolsonaro iniciou uma campanha em defesa da adoção do voto impresso no Brasil.
Fux relatou que, durante esse período, recebeu em seu gabinete diversas pessoas que defendiam a proposta, entre elas o advogado Gustavo Bebianno, já falecido, e a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), que liderava comissões e grupos técnicos sobre o tema.
“O então candidato Bolsonaro manifestou seu desejo de que o voto fosse impresso. Eu deixei claro que, tecnicamente, era impossível implementar naquele momento um sistema confiável que imprimisse o voto sem comprometer a segurança do processo eleitoral”, afirmou o ministro.
Apesar dos entraves, Fux disse que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou uma licitação para adquirir equipamentos capazes de imprimir o voto eletrônico. No entanto, o processo foi interrompido após o Supremo Tribunal Federal declarar o modelo inconstitucional, alegando que a medida colocaria em risco o sigilo do voto — princípio fundamental garantido pela Constituição.
“A impressão do voto permitiria que o eleitor levasse o comprovante a terceiros, o que poderia gerar situações de coação ou compra de votos”, explicou Fux. Ainda segundo ele, além da inconstitucionalidade, a implementação esbarrou em dificuldades financeiras: “Era muito caro. Nós não tínhamos condições orçamentárias para isso.”
O ministro também mencionou que, na ocasião, sugeriu uma solução alternativa para garantir maior transparência: a instalação de um dispositivo nas urnas para verificar, uma hora antes da votação, se o equipamento estava vazio e sem registros prévios.
Com a anulação da licitação e a decisão do STF, a empresa vencedora do certame teve que ser indenizada — fato que ocorreu já na presidência do ministro Luís Roberto Barroso à frente do TSE.
A fala de Fux lança luz sobre os bastidores da proposta do voto impresso no Brasil, tema que gerou forte polarização política e jurídica, principalmente durante o governo Bolsonaro, que insistiu repetidamente na necessidade de “auditar” o processo eleitoral.

